
Ele não sabia por onde começar, na verdade parecia que mil respostas estavam passando por sua cabeça ma nenhuma era conveniente demais, ele não queria fazer drama e nem ser fútil.Como eu sei disso? Apenas conseguia ler em seus olhos e isso me encantava tanto.
Então finalmente ele falou:
-Vim pra cá transferido, como eu já havia te dito.Na verdade meu pai está oculpado demais e minha mãe não vai além de margueritas diárias. Parecia-me que essa faculdade era a mais, mais interessante.
-Interessante, não me parece um bom adjetivo.
Rimos baixo.
-Diferente, tranqüila, hum...
-Longe?
-É, exatamente isso.Longe!
-Sei como é.Digamos que tenho uma mania de querer pular fora antes mesmo do barco começar a afundar, basta cambalear.
E paramos por um segundo que parecia uma eternidade, algo tão puro, eu fitei seus olhos e ele fez o mesmo.Mas o momento foi interrompido, era Zac, trazendo a comido. Senti-me tão estranha, não sei descrever, digamos que me senti constrangida por ver Zac um pouco atrapalhado com a situação e por Fellipe que mesmo depois da chegada de Zac ainda me fitava com os olhos.
-Sabe de uma coisa Zac, deixa a comida pra depois, quer tomar um sorvete Fellipe?
-Claro.Vamos?
-Sim sim.
Zac parecia decepcionado, era uma noite fria, mas quem se importa, me sentiria bem com ele mesmo que fosse embaixo de neve.Nós seguimos pela noite e eu o guiei, afinal ele era novo na cidade e eu sabia exatamente para onde ir.
Havia a umas quadras depois do restaurante de Zac uma sorveteria familiar ao lado de um pequeno parque particular, mas que a entrada era fácil, sempre ia para lá quando queria pensar na vida.
Ele me seguiu com era de se esperar, compramos o sorvete, ele pediu de chocolate e menta e eu de morango com caramelo.Então fomos ao parque, lá havia um par de balanços com arvores e flores e postes de luz encantadores.
-Como você achou esse lugar?
-Digamos que eu conheço um cara, que conhece outro cara...Posso te perguntar uma coisa.
-Duas.
-Você tem namorada?
-Não, ainda não.
Ele segurou minha mão, Deus, acho que estava mais vermelha que nunca.Então ele envolveu minha nuca e me beijou.Aquele parque nunca havia ficado tão maravilhosamente mágico quanto naquele momento. Fiquei sem fala, não restou nada alem de outros beijos e abraços.
Após alguns minutos seu telefone tocou, ele atendeu atônito e se fora.
Um comentário:
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